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Hamilton Terni Costa

 

O livro que o Carlos Silgado e eu lançamos no final do ano passado, O empresário gráfico e o novo ciclo de inovação tecnológica [1], tem como base as atuais tecnologias gráficas e a inserção na chamada indústria 4.0. Mas não é só isso.

 

Ele é, na verdade, é um manual para uma autoavaliação tecnológica e os caminhos necessários para uma revisão dos processos produtivos e de gestão da produção visando a automação desses processos, redução dos tempos de produção, ganhos de produtividade e, consequentemente, redução de custos.

 

Nesse aspecto, não só falamos e mostramos as tecnologias embutidas nos equipamentos já atualizados com os lançamentos da última Drupa como dedicamos um capítulo todo para falar de workflow, ou fluxo de trabalho e sua importância nessa busca da automação e produtividade.

 

A tecnologia gráfica atual permite, claro, uma melhoria substancial nesses aspectos citados, incluindo algo fundamental para isso: a obtenção de dados em tempo real. E não só, necessariamente, usando os equipamentos gráficos de última geração. Obter dados produtivos e de gestão, desde que priorizado pela empresa, podem sempre ser conseguidos. A questão é o timimg, ou seja, obtê-los na hora dos acontecimentos e agir sobre eles. E é nisso que se enquadra o que chamamos de gestão inteligente.

 

A gestão inteligente na indústria gráfica, portanto, não se limita apenas à adoção de tecnologias de ponta, mas também à implementação de uma cultura de análise e otimização contínua baseada em dados. Na era da Indústria 4.0, a capacidade de coletar, analisar e agir sobre informações em tempo real se torna um diferencial competitivo importante.

 

Uma das chaves para essa transformação é o uso estratégico de Indicadores-Chave de Desempenho (KPIs). Ao definir KPIs alinhados com os objetivos de negócios, as gráficas podem monitorar continuamente o desempenho de suas operações, desde a eficiência do equipamento até o cumprimento de prazos de entrega. Isso não apenas facilita a identificação de gargalos e oportunidades de melhoria, mas também permite uma resposta ágil às demandas do mercado.

 

O capítulo dedicado ao workflow em nosso livro, destaca como a automação dos fluxos de trabalho contribui para a produtividade. A automação reduz a intervenção manual, minimiza erros e acelera processos, resultando em ciclos de produção mais rápidos e eficientes. A integração de sistemas e processos, alimentada por dados em tempo real, permite uma visão holística das operações, proporcionando insights valiosos para ajustes rápidos e eficazes.

 

No entanto, a tecnologia por si só não é suficiente. É essencial investir na capacitação da equipe para garantir que os colaboradores estejam preparados para trabalhar em um ambiente altamente digitalizado. Além disso, fomentar uma cultura de inovação e melhoria contínua é fundamental para que a gestão inteligente se torne parte do DNA organizacional.

 

Por outro lado, é crucial abordar alguns mitos comuns que podem dificultar essa transição para a gestão inteligente. Um dos equívocos frequentes é a crença de que a digitalização completa é inviável para pequenas e médias gráficas devido aos altos custos associados. No entanto, com o avanço das tecnologias, soluções escaláveis e modulares estão se tornando cada vez mais acessíveis. Isso permite que empresas de qualquer porte iniciem a adoção de práticas inteligentes de maneira gradual, conforme suas capacidades financeiras.

A implementação pode começar com atualizações em áreas específicas, como o controle de estoque, controles adequados de produção ou mesmo a adoção de práticas como a MPT - manutenção produtiva total, que vale a pena ser conhecida e o que ela muda na gestão.

 

Outro mito persistente é que a automação substituirá completamente a mão de obra humana, gerando um ambiente de trabalho desumanizado. Na realidade, a automação é uma aliada poderosa na liberação dos colaboradores de tarefas repetitivas e monótonas, transformando o ambiente de trabalho em um espaço onde a criatividade e o julgamento humano são altamente valorizados.

Com a automação, os trabalhadores podem assumir funções mais estratégicas, como análise de dados, programação de máquinas ou desenvolvimento de novos produtos. Isso não só melhora a eficiência operacional, mas também enriquece a experiência profissional dos funcionários, promovendo um ambiente de trabalho mais satisfatório e motivador. Empresas gráficas avançadas em processo de automação realocam profissionais de pré-impressão, por exemplo, para suporte a vendas e desenvolvimento de produtos.

 

Existe também a percepção de que a análise de dados é complexa e inacessível para muitas empresas. Essa visão, no entanto, está se tornando obsoleta graças à crescente disponibilidade de ferramentas de análise de dados intuitivas e amigáveis. Essas plataformas são projetadas para serem usadas por pessoas com diversos níveis de conhecimento técnico, permitindo que gestores e equipes tomem decisões informadas rapidamente. A capacidade de transformar dados brutos em insights significativos não só melhora a eficiência operacional, mas também abre novas oportunidades de negócios. Isso ajuda as empresas a se adaptarem mais rapidamente às mudanças de mercado e às preferências dos consumidores, permitindo que antecipem tendências e inovem continuamente.

 

Na era digital, a quantidade de dados disponíveis aumenta exponencialmente a cada dia, e a capacidade de transformar esses dados em informações acionáveis se torna ainda mais crucial. As empresas de embalagem e impressão enfrentam o desafio de não apenas coletar dados, mas também garantir sua precisão e relevância para evitar decisões baseadas em informações incorretas.

Nesse contexto, emerge a chamada liderança baseada em dados, como um enfoque importante para a tomada de decisões inteligentes e rápidas. A expressão cunhada pelo chamado pai da administração, Peter Drucker, “se não pode medir, não pode gerenciar" se torna especialmente relevante na Indústria 4.0, onde o acesso a dados em tempo real impulsiona a eficiência e a inovação nas operações.

 

A liderança baseada em dados se fundamenta no uso de evidências quantitativas para apoiar decisões, em vez de depender exclusivamente de intuições ou experiências passadas. Isso é particularmente crítico na Indústria 4.0, onde a digitalização e automação transformam os processos de produção. Os benefícios incluem decisões mais inteligentes e precisas, com a identificação de tendências e previsão de resultados através de análises preditivas.

Além disso, a capacidade de tomar decisões rápidas com base em dados em tempo real permite que as empresas atuem com agilidade para aproveitar oportunidades. Mas traz desafios e barreiras que precisam ser superadas, como a garantia da qualidade dos dados, integração de sistemas e desenvolvimento de uma cultura de dados.

Para promover uma liderança baseada em dados, as empresas precisam, claro, investir em tecnologia, como inteligência artificial para análise rápida de dados e automação de processos para coleta e processamento eficiente de informações. E trabalhar no desenvolvimento de habilidades analíticas entre líderes e funcionários. O que é crucial para interpretar corretamente os dados e gerar insights acionáveis.

Cultivar uma cultura organizacional que valorize a tomada de decisões baseada em dados e estabelecer KPIs claros para monitorar o desempenho são passos essenciais para ajustar estratégias conforme necessário.

 

Finalmente, a colaboração com outros players do setor, como fornecedores de tecnologia e parceiros de negócios, pode amplificar os benefícios da gestão inteligente. Por meio de parcerias estratégicas, as empresas gráficas podem acessar novos conhecimentos, compartilhar riscos e recursos, e acelerar o seu caminho rumo à digitalização completa. Essa abordagem colaborativa não só fortalece a posição competitiva da empresa, mas também contribui para a criação de um ecossistema mais robusto e inovador no setor gráfico.

 

Em suma, os caminhos da gestão inteligente na gráfica são pavimentados pela combinação de tecnologia, análise orientada por dados e uma cultura organizacional adaptável. Ao adotar essas práticas, as empresas do setor gráfico estão não apenas se modernizando, mas também se posicionando de maneira mais competitiva em um mercado em constante evolução. Essa abordagem não apenas reforça a importância da inovação tecnológica, como também enfatiza a necessidade de uma estratégia bem definida para aproveitar ao máximo as oportunidades oferecidas pela Indústria 4.0.

Não parece inteligente avançar nesse caminho? Pense nisso.

[1] À venda em português e espanhol como e-book na Amazon, ou impresso pelo whatsapp: 11-93474-2424

Publicado na Revista Abigraf 323 - Jan/Fev/Mar- 2025