Hamilton Terni Costa
Inovar é fundamental. Sempre. É o que nos move nos negócios, ainda que de forma intuitiva ou até mesmo ocasional.
Quem está focado no seu negócio vive pensando, ou deveria estar, em como aprimorar processos, conquistar e reter clientes, investir em produtos estratégicos e expandir mercados. Apenas quem está acomodado, talvez pelo sucesso passado, ignora a necessidade de mudança. Essa inércia, muitas vezes, é o caminho direto para o fim do negócio.
Muitas vezes, o acaso nos apresenta oportunidades. Seja um cliente que solicita algo inusitado, gerando uma nova especialidade, ou a visita a uma feira que revela um produto desconhecido, abrindo um novo caminho. O fato é que o novo pode surgir e prosperar de diversas formas.
Embora a inovação possa nascer da intuição ou do acaso, seu desenvolvimento exige pensamento, planejamento e execução estratégica. A boa notícia é que existe um robusto ecossistema de inovação no Brasil, que visa estimular projetos inovadores, muitos deles com acesso a financiamentos em condições extremamente atraentes.
Mas, afinal, o que é inovação? Em sua essência, inovar é transformar uma ideia em um projeto com potencial de lançamento comercial ou impacto significativo no negócio. As ações de inovação podem ser relativas a produtos, serviços, processos, modelos de gestão ou até mesmo ao modelo de negócios da empresa.
A OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico define inovação tecnológica como um novo produto, serviço ou processo baseado em tecnologia. No entanto, ela também abrange o aprimoramento de algo já existente, visando melhorar a qualidade, a produtividade e, consequentemente, a capacidade competitiva da empresa.
É o princípio do Kaizen, a famosa filosofia de gestão japonesa que busca otimizar processos por meio de mudanças pequenas e constantes.
Este é um ponto crucial: o aperfeiçoamento contínuo é, em si, um processo inovador relevante, mesmo que não seja disruptivo.
Nesse sentido, convém distinguir bem esses aspectos: a inovação disruptiva ou radical é a que se baseia em novas tecnologias e, ao mesmo tempo, em novos modelos de negócio. Já a inovação incremental é a que se baseia em tecnologias e modelos de negócio semelhantes aos existentes, mas com variações e aprimoramentos importantes.
O melhor exemplo de inovação incremental no nosso setor nos últimos anos é a transformação gradual de gráficas comerciais e promocionais em convertedoras de rótulos e embalagens, aproveitando o maior crescimento relativo desses segmentos.
Voltando ao cerne deste artigo: existe hoje no mercado brasileiro um conjunto de ofertas de financiamento voltadas ao incremento da inovação nas empresas, independentemente do seu porte, com linhas de crédito específicas para cada tipo de projeto.
Não me refiro apenas às linhas de crédito para compra de equipamentos, já amplamente conhecidas pelos gráficos e frequentemente ofertadas por fornecedores de tecnologias.
Minha ênfase está nas entidades e bancos de fomento, que integram o Sistema Nacional de Inovação e oferecem linhas especiais para projetos de inovação bem concebidos. Esses projetos podem variar desde uma simples atualização de informática e sistemas (transformação digital) até iniciativas de inovação radical. Contudo, quero especialmente chamar a atenção para os projetos de inovação incremental, como o exemplo da transformação da empresa em convertedora de embalagens.
Para clarificar, o SNI – Sistema Nacional de Inovação é um conjunto de instituições públicas e privadas, como universidades, empresas, agências de fomento e órgãos governamentais, que interagem para gerar, adaptar, difundir e aplicar novas tecnologias e conhecimentos.
Entidades como EMBRAPII, Senai, Sebrae, Finep, BNDES e Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) possuem instrumentos e ofertas que podem financiar projetos de inovação bem estruturados. Alguns deles cobrem de 50% a 90% dos custos envolvidos!
Essa rede de apoio é fundamental porque desmistifica a inovação e a torna acessível. Muitas empresas hesitam em investir pesado em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) devido aos riscos e altos custos iniciais. No entanto, com o suporte dessas instituições, o risco é compartilhado e o acesso a recursos e conhecimento técnico se torna uma realidade. Isso significa que a sua gráfica pode desenvolver uma nova linha de produtos, otimizar um processo produtivo ou até mesmo criar um novo modelo de serviço com um investimento inicial significativamente menor e com maior segurança de sucesso. Além do capital, essas agências podem oferecer acesso a redes de pesquisa e parceiros estratégicos, acelerando o ciclo de inovação e garantindo que o projeto não apenas receba o financiamento necessário, mas também seja executado com excelência e gere o impacto desejado no mercado.
O que é necessário para ter acesso? Primeiro, a concepção adequada do projeto. Esta "concepção adequada" vai além de uma boa ideia; ela exige um estudo aprofundado do mercado, uma análise clara dos objetivos e resultados esperados, e um plano de negócios sólido que demonstre a viabilidade e o potencial de retorno do investimento. É crucial que o projeto esteja alinhado com a estratégia de longo prazo da empresa e que sua equipe esteja engajada. O apoio de consultores especializados pode ser decisivo aqui, pois eles trazem a metodologia e a experiência para estruturar a proposta de forma a atender às exigências das agências de fomento, maximizando as chances de aprovação. Segundo, assessoria na adequação e enquadramento nas linhas de financiamento disponíveis e adequadas aos objetivos e capacidades da empresa. E, por fim, a obtenção do crédito, execução do projeto e seus resultados.
Em resumo, processos de inovação bem elaborados e apresentados podem receber um forte impulso financeiro. Essa injeção de recursos permite a execução de projetos que, por sua vez, podem levar sua empresa gráfica a um novo patamar de competitividade e crescimento, independentemente do seu porte.
Aos interessados, sugiro ouvir o podcast Ondas Impressas, episódio 16 desta sexta temporada, de outubro de 2025: "Inovação e financiamento: como acessar recursos para transformar sua gráfica". Disponível no YouTube ou nos agregadores de podcast. Este artigo foi baseado na conversa que a Tânia Galluzzi e eu tivemos com José Hernani e Eli Bastos da consultoria Piera, especializada em inovação.
Inovação pensada, projetada e financiada: a chave para o crescimento sustentável da sua empresa gráfica. Pense nisso!
Publicado na Revista Abigraf 326 – Out/Dez 2025